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domingo, 11 de julho de 2010

De minha janela

Da janela num dia comum.


(imagem do Google-Anahisantos)


Era um dia comum destes tantos que nos acontecem por esta vida. Dia em que pessoas comuns perambulam sem saber a que vão ou onde, apenas andam. Uma leve chuvinha umedecia os jardins depois de uma estiada longa de verão. Neste dia comum assim de minha janela me permiti levar pela observação. Observa-se tudo, pássaros urbanos, pessoas, coisas, maquinas, bailar de arvores e maquinas em movimentos. As pessoas caminham cuidadosas, escorregões são possíveis, não convém cair num dia desses, cuida-se, olha, observa o melhor trajeto, cuidado com as bocas de lobo, pois pode ser fatal.

O vento fazia trajetória sentido sul, carregando folhas, papeis e tudo que podia voar. Sacolas plásticas de supermercado às vezes subiam como se fossem pipas, mostrando a falta de educação no destino de lixo de gente que vive emporcalhando as grandes cidades, outros se alojavam nas grades de escoamento das águas pluviais impedindo o curso normal das águas, criando pequenas lagoas, que logo seriam imensas. Criando uma enorme e triste indignação em ver e sentir o comportamento dos humanos para com seu meio.

Mais distante um pouco, o mesmo vento causava horrores às mulheres, numa insistência tarada de lhes arrebatar os vestidos. Uma luta se observava daquela mulher segurando sua sombrinha, que protegia da chuva, naquele instante tomadas de decisões eram precisas imediatas, como segurar a sacola de compras, a sobrinha que insistia em voar bem como o vestido que cismava em subir corpo acima. Uma luta desigual enfrentava aquela mulher. Na esquina os motoristas de Taxi, observavam e sonhavam com a vitoria do vento sobre aquele vestido. Sonhos e fantasias de um dia comum. E a mulher rodava como regravando Cantando na Chuva, luta desigual, situações inusitadas de um dia de vento e chuva na cidade.

Era sim um dia comum, onde pessoas comuns fazem coisas comuns.
Por muito tempo assim fiquei, na minha base de observação, abrigado da chuva e do vento.

Era um rei absoluto na minha posição, onde tirava do dia as mais estranhas emoções e reações da vida humana. A vida às vezes nos proporciona momentos assim, de pura inatividade, de ociosidade e ficamos a observar o movimento do mundo.


Foi então que percebi, que de tanto observar, acabei sendo observado.

Assim diria o grande poeta Drummond: “Eta vida besta!




Toninhobira

11/07/2010

3 comentários:

  1. Toninho,
    É com imensa satisfação que aqui aporto, e encontro um coração de poeta.
    Vim através de nossa amiga Flor que muito o estima, e que eu particularmente tenho por ela muito apreço. É uma pessoa maravilhosa mesmo!
    E tu Toninho, quero dizer que senti a leveza das tuas palavras, pois que para minha felicidade, li algo sobre a chuva. Chuva que me traz tantas recordações e nostalgia... As vezes tristes, as vezes alegres e inspiradoras.
    Mas senti como se aí estivesse a contemplar, vagando nos pensamentos, e assim construindo dentro de minha alma, um texto de intensa poesia.
    Deixo meu abraço, desejo um bom domingo, e quando quiser apareça no Vozes de Minha Alma, e seja bem vindo.

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  2. Olá meu amigo, boa noite! O amigo Antonio do vozes de Minha Alma tem toda razão, seus textos são mesmo magníficos, e o sangue de poeta corre em suas veias... A forma como você descreve nos leva a sentir e até a presenciar a cena! Todos os aplausos a ti querido poeta!!! Desejo a você uma semana linda e abençoada! Carinhos a ti... Abraços

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  3. O ócio deixa de ser ócio quando dele se extrai uma pérola. Como disse o Rubem Alves, ostra feliz não produz pérola. É necessário um trabalho (no caso,a sensível e apurada observação) para sair a beleza da criação. Abraço grande. Paz e bem.

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