terça-feira, 29 de novembro de 2011

A gente se acostuma.






















É sabida do ser humano, a tendência a se acostumar às situações, que a vida se lhe apresenta. A cada etapa de nossas vidas somos colocados aos desafios. De saída enfrentamos a situação de conviver com nossos primeiros medos e frustrações, aventuras. O medo de cair pela falta do equilíbrio, vem o engatinhar. Inversa/inocentemente tem-se a coragem para agarrar o rabo de um felino ou mesmo de um cachorro, ou se aventurar descer perigosas escadas. Ali tem inicio da famosa proteção assistida dos pais, tios, avos ou babás.

Acostumamos a ter proteção vigiada, entregamos a ela sem perceber, que ela um dia vai embora. O medo de errar nos persegue ao longo da vida, que às vezes nos impede de buscar novas aventuras e sucessos, vamos acostumando a fazer com que nos pareça mais fácil ou menos perigoso, como numa escala inconsciente de risco, que fica enraizada em nosso subconsciente. Creio que aí, originam-se nossas frustrações, nossos fantasmas, que nos assombrarão pela longa jornada. 

Nesta longa caminhada deparamos com uma vida nua e crua a ser vivida, quando aquela mão já não nos ampara. Os modelos que se apresentam nos chocam. É quando passamos a não querer mais, a acostumar com os parâmetros impostos por nossas famílias, igreja, escola e a sociedade. Tempo de apurar nossas vocações profissionais e políticas. Justamente neste momento é que muitos se perdem, pela falta da base. Muito comum ver pessoas estiradas pelas estradas da vida nesta etapa, onde as proteções não se evidenciam, e às vezes nem são aceitas. Neste momento, que muitos se perdem pelas drogas, alcoolismo como sendo um caminho mais fácil da alienação perante as dificuldades. Processa-se então a total negação.

Acostumar transforma-se numa perigosa entrega às apatias tão comuns, quando a pessoa se sente incapaz de lutar contra a desordem familiar, social, política e econômica. Passamos a ser vitimas deste rolo compressor. Vive-se no limite da razão, neste período alguns se engajam a uma tendência política e ou filosófica, ou mesmo buscam filiação partidária. Há registros até mesmo de casos de suicídios nesta fase em que tudo parece não ter solução, quando o pensar extremo invade seres nas suas buscas, que culmina com tirar a própria vida. Desilusão total.

Aceitar e acostumar são as novas inquietações, na fase que entramos numa espiral existencial, quando somos levados a uma função no sistema produtivo. Nesta miscelânea entramos no ápice da vida profissional e começa a ter de aceitar péssimos gerentes, imbecis dirigentes tudo em nome da sobrevivência e defesa do pão nosso de cada dia. Nessa jornada, aceitamos a pobreza do pensar geral do salve-se quem puder. Já não somos seres racionais na integridade e essência, assim desfilamos pela vida, a nutrir nossas mais terríveis decepções e frustrações, pela incapacidade de resolver as questões cruciais humanas e sociais. Processa-se a insatisfação.

Assim é preciso uma ação multiforças com sabedoria, na preparação de nossas crianças, nossos jovens na maneira de se conduzir na longa jornada. Nesta ação de mãos dadas entre famílias, escolas e comunidades, inclusive num arrastão trazer a igreja, para uma perfeita orientação vocacional e de vida, para exercício de fazer prevalecer os melhores e capazes, na condução dos processos. Criar a responsabilidade política e fazer mudar todo pensar no exercício de uma função política. Processa-se a reflexão.


E penso, que se assim procedendo, teremos homens melhores e pessoas mais felizes.


Toninhobira
15/06/2010  

Uma reedição.

Comentário Único de Jose Claudio (Cacá), que anexo à postagem.

“Toninho você tocou com uma fina dose de talento, num assunto que acho ser o grande responsável por tantas mazelas no nosso cotidiano. A falta de preparo das pessoas para enfrentarem a vida depois de se desgarrarem das "tetas" que os geraram. O incitamento quase obrigatório ao sucesso e o apelo exagerado para se obter bens como forma de se legitimar, como gente, junto com a ausência de idealismo, são, a meu ver, os causadores dessas angústias que norteiam pensadores lúcidos como você. Oxalá esta sua crônica seja lida por muitos e muitos e muitos e refletida bastante. Muito importante e sábio tudo o que você disse aqui. Meu abraço. paz e bem”.

sábado, 26 de novembro de 2011

Coisas do coração.



















Cada verso que escrevo se reveste de uma certa verdade, que a vida se apresenta em certos momentos. É o processo de desvestir. É não saber as respostas, para as perguntas, que sopram em nossos ouvidos. Saber as respostas é viver momentos de alivio, até que vem uma reformulação das perguntas, como se as coisas estivessem programadas, sem mínima chance de interferir e ou fugir do processamento. Sentimento de inoperância.

As coisas que não temos controle, sempre nos causam a inquietação, pois que elas nos surrupiam horas, dias e noites em interminável martírio. Somos uma ferramenta desta onda avassaladora, que nos prega uma peça desconfortável e por mais que desejamos que o pano caísse, a plateia de pé parece pedir bis infinitamente, assim permanece estático neste palco das emoções fugidias.

Os fantasmas sentimentais que nos roubam as palavras como vendaval e carregam nossas inspirações na melancolia, que se aloja em cada verso, arrastam as saudades de tudo quanto fomos e ou deixamos de ser. A vontade de recuar, abrir a porta e respirar, mas cada vez mais como se os olhos estivessem vendados, trilhamos em malabarismo arriscado de uma corda esticada e como almas aflitas, desesperadas neste terrível labirinto de tais emoções.

Quão bom seria, se houvesse a blindagem perfeita, para este coração desprovido de escudos e armas, que exposto à vulnerabilidade de todo tipo de ataque, que perfura o pobre coração com sofrimento, abandono e desilusão. É o vazio do coração. Assim vive a esperança de viver um grande amor, sem se importar, com a outra metade que ocuparia este vazio e vem daí a queda inevitável.

Eis que viver sob as coisas deste coração, torna-se uma aventura um tanto quanto perigosa, pois que ele bate acelerado na mínima sensação de uma emoção e nos leva pelos caminhos tortuosos dos desejos, que se aglomeram como gorduras nas veias, causando uma compressão revestida de desilusão, que deixa no ar forte cheiro de enxofre num corredor escuro e sombrio como nos porões da solidão.

Mas isto também passa ou mesmo se transforma.
E nova emoção vem e nos abraça, como uma onda que se elevou neste mar azul.


Toninho
14/11/2011

Da série apenas uma inspiração.
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Pouca coisa é necessária para transformar inteiramente uma vida: 
amor no coração e sorriso nos lábios.   
[Martin Luther King]
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Grato Zé Claudio pela otima ilustração. http://uaimundo.blogspot.com/

"Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída.
Como é, por exemplo, que dá pra entender:
A gente mal nasce, começa a morrer.

Depois da chegada vem sempre a partida,
Porque não há nada sem separação.
Sei lá, sei lá, a vida é uma grande ilusão.
Sei lá, sei lá, só sei que ela está com a razão.

A gente nem sabe que males se apronta.
Fazendo de conta, fingindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe,
E o sol que desponta tem que anoitecer.

De nada adianta ficar-se de fora.
A hora do sim é o descuido do não.
Sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão.
Sei lá, sei lá, a vida tem sempre razão." (Tqinho e Vinícius)

Ou então lhe trago da terrinha(Itabira-MG) os sofrimentos da alma do Drummond:

"Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão."

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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Haikai III






Longas passadas
Desfile elegante_
Vem Seriema.










 
Vidas perdidas
CHEVRON usa desculpas_
Mar oleoso.







 

Ovos trincados
Algazarra infantil_
Lindos filhotes.



 
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Agradeço a todos pela solidariedade à minha agonia com
o atentado à vida de minha sobrinha, que passa bem.
Deus estará sempre com todos nós.
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