Uma imagem num conto projeto da Norma para o Calendário de pintores com a boca ou pés. Para o mês de agosto a imagem abaixo. Veja no blog pensandoemfamilia outros links de amigos.
“Cuidando das Flores” Original pintado
com a boca por Daneiela Caburrro
Sonho de orvalho.
Naquela manhã Alicinha madrugou,
queria ver as rosas orvalhadas, sentir o escorrer das gotículas das pétalas. Os
olhos pareciam fugir da orbita a cada gota suicida. Achou de uma beleza
infinita aquele processo matinal.
Assim o fez três manhãs
seguidas. Até que no próximo dia ao adentrar o jardim percebeu uma Rosa Menina chorosa.
Aproximou-se delicadamente, ouviu o sussurro de lamento da rosa, por não ter
uma gota sobre ela.
A menina comovida
deixou cair uma gota de lagrima sobre ela. A gota quente fez a Rosa Menina
murchar, dobrando-se sobre o galho.
A menina em pânico abraçou
sua mãe pedindo socorro pela rosa. A mãe sorrindo disse, que era um sonho. A
menina sorriu, rápido adormeceu feliz da vida.
Pela manhã correu até o
jardim e viu, a Rosa Menina orvalhada irradiando beleza como nunca tinha visto.
Achou de uma delicadeza impar o orvalho na rosa.
Botandoa cabeça para funcionar é uma BC da nossa Chica, que acontece todos os dias 5, 15 e 25 quando ela apresenta uma imagem para inspiração livre em comentários e ou postagem com links no seu blog chicabrincadepoesia. Visite e participe lendo nossos amigos por lá. Esta BC surgiu de um exercício com seu neto Neno. Vamos à imagem do dia abaixo e minha participação.
Minha jangada avança sobre o mar,
a vela me leva, ouço cantar o vento.
Longe pela praia a mulher a acenar,
Inerte no medo no ventre o rebento.
Sobre ondas revoltas voa a jangada,
um pescador é do mar dele sabedor.
O açoite do vento a vela tensionada
O peixe no samburá é confortador.¹
É dureza navegar neste mar bravio,
a família espera o peixe da fartura,
pela chegada do filho esquece o frio,
movido no retorno é todo bravura.
Cantarolando a Iansã pela calmaria,²
Seguro levar sua jangada à caiçara.³
Vem lembrança com certa nostalgia,
do navegar tranquilo pela Pajuçara.
Toninho
25/08/2023
Grato pela visita.
Notas:
1- Samburá: espécie de balaio para carregar peixes e outras coisas.
Um convite da querida Rosélia para o aniversário de seu blog com o tema Espiritualidade pós pandemia. Veja outros amigos aqui idade-espiritual.com.br
Era março de 2020, comemoramos
o dia Internacional da mulher, com uma prima homenageada como mulher guerreira
em Itabira. A cidade já vivia sob o medo de uma tal pandemia, mas que só foi confirmada
nove dias depois, quando esta prima já estava internada com os sintomas e assim quatro dias
depois a guerreira perdia a guerra com seus 35 anos.
Isolado do meu
cotidiano busquei manter minha espiritualidade, para ter forças de acreditar,
que atravessaria o mar revolto com familiares e amigos pelo mundo. Mas as notícias
cada vez mais drásticas pelo mundo e Brasil, deixava um rastro de desanimo,
impotência diante dos números alarmantes, onde outros parentes e amigos
engrossaram os números de infectados e muitos sem um leito de hospital. Momento
de abalo da espiritualidade.
Silenciosamente buscava
no Deus fontes de energias, que pudessem me manter crente e assim poder ajudar
meus familiares e amigos, alguns vivendo sob efeitos de tubos numa UTI. Eu
agradecia cada manhã a ausência de sintomas, e respeitando as regras vigentes.
Da janela observava ruas vazias, em contrapartida comecei a ver borboletas no
jardim, andorinhas pelos fios elétricos. Era o silêncio das ruas. Notei aí a generosidade
de Deus.
As minhas orações se
tornaram fervorosas em pedidos pelo fim desta pandemia. Pedia pela
multiplicação dos leitos, que se processasse um milagre para os infectados de
terem pelo menos uma morte assistida. Foram dias sombrios, readaptação de vida seres
mascarados com medo do próximo. Cada pessoa era como uma bomba pronta para
explodir, nas ruas e filas o medo da contaminação.
Meu olhar entristecia com
as cenas televisivas. Pensei que Deus estava nos mostrando quão pequenos somos
numa pandemia. Abracei o pensamento que pós pandemia renasceria um novo homem
mais solidário e respeitoso para com a natureza e o próximo. Mas qual o que nada
vimos e parece até saiu pior da pandemia. Minha espiritualidade forjou-se na
silenciosa reflexão de cada amanhecer imune. Deus como centro e inspirador das ações
retribuídas com leveza. A liberdade moldada pela espiritualidade.
Nos pós pandemia fiz uma
triste contabilidade das perdas e dos limitados dos movimentos e das sequelas
que levarão para o resto de suas vidas. E neste instante que escrevo uma
senhora Mãe Bernadete 72 anos é assassinada friamente num quilombo aqui na
Bahia, por dois homens encapuçados, que deve ser coisa de briga por posse de
terra e ou intolerância religiosa. E o
ser humano nada aprendeu como se imaginava, parece que ficou pior sem espirito
e alma, um ser robotizado e violento do tempo.
Participação na BC-Botando
a cabeça para funcionar, que acontece todos os dias 5, 15 e 25 de cada mês um projeto da Chica com uma imagem e para inspiração livre. Por motivo de férias e viagem a Chica antecipou a postagem. Conheça outras inspirações no blog chicabrincadepoesia
Lá onde minha vista já não alcança,
um sol se despede por trás da serra.
O rio que desce lento sem a pujança,
para encontro do mar, que o espera.
A varanda é o meu canto de poesia,
a onde o vento vem me aconchegar,
há o sopro maravilhoso de melodia,
como magia das tardes deste lugar.
Do meu jardim irradia o perfume,
é a dama da noite a me embriagar,
adentra a varanda da Lua o lume,
onde uma silhueta me faz inspirar.
Cai a noite sobre o vale encantado,
lá no infinito 0 meu olhar a vagar,
tento compor um verso rebuscado,
que traduza a linda noite de luar.
Toninho
13/08/2023
Grato pela visita
Feliz dia aos pais do Brasil e aos
pais de suas famílias.
BC_botando a cabeça pra
funcionar de todos os dias 5, 15 e 25 no blog da Chica, onde uma imagem é apresentada para em inspiração livre participar ainda que em comentários. No blog você pode acessar outros olhares de amigos aqui chicabrincadepoesia . Abaixo a imagem minha participação.
De
quem é este olhar com ternura,
que
faz um encanto na blogosfera?
Vem
de uma delicadeza e candura,
de
botão em flor numa Primavera.
Quiçá
pudesse sorrir toda criança,
a
rodar toda contente no carrossel,
sob
olhos protetores há confiança,
para
galopar segura lépido corcel.
Eu
a vi ali com um olhar contente,
havia
no riso leveza encantadora,
de
quem viu uma estrela cadente,
tal
qual o Menino na manjedoura.
Quisera
ver todas crianças felizes,
no
viver este tempo de feliz idade,
assim
crescendo sem as cicatrizes,
para
uma juventude de felicidade.
Toninho
05/08/2023
Grato
pela visita.
Inspirado na foto de Alicinha neta da
amiga Cathiaho