Inspirado no poema Nos galhos das árvores de nossa amiga Ailime na sua pagina Canto meu , onde voce se encantará com a elegancia de seu poetizar. Conheça.
Botando a cabeça parafuncionar uma BC da Chica de todos os dias 5, 15 e 25 para uma imagem no blog chicabrincadepoesia para em criação livre os amigos deixarem suas inspirações livres. Confira e incentive lendo nossos amigos. Abaixo a imagem e minha leitura da imagem.
Flores da vida.
Luci era uma pessoa
encantada com a natureza, numa pequena cidade, onde cultivava flores em seu
lindo jardim na lateral da casa, que ficava abaixo da sua janela, donde podia
observar cada uma e delas recebia o perfume pela janela.
Mas veio a transferência
de seu marido para a capital. Aquilo foi como uma facada no coração de Luci,
que não gostava das grandes cidades e se imaginou longe das flores do seu
jardim, como uma tortura.
Era uma casa bonita num
belo bairro, mas rodeada de prédios altos, que a fazia deprimida em meio aquele
cimento e aço. Um olhar cinza de uma Luci triste. Na casa apenas uma pequena
jardineira na varanda com plantas ressecadas malcuidadas. Os dias eram nublados
aos olhos de Luci.
Numa manhã de sábado o
marido passou numa floricultura e viu um belíssimo arranjo de flores num barril
e imaginou este na varanda e que alegraria Luci. Comprou junto com outros
pequenos vasos e estrategicamente o colocou num ponto da varanda, que encobria
as paredes do prédio e harmonizava com o lindo céu azul do dia.
Quando ela acordou, viu
as flores, olhos brilhantes irradiaram no ambiente. Abriu um sorriso esquecido
no interior. Feliz descrevia com poesia, o que seus olhos até então não
captaram. Um maravilhoso céu azul e raios solares que davam vida às flores. Ela
já imaginava mais flores para a varanda. Estava mesmo muito radiante.
Ao olhar para o marido,
percebeu que o mesmo enxugava os olhos. Alegre por ter resgatado sua Luci de um
processo depressivo. Ela foi até ele e se beijaram fazendo fotografias voltadas
para as flores.
Os meninos da rua da
vila operária sabiam, que naquele dia tudo era proibido ou tudo era pecado. O
dia se apresentava nublado até chovia, o azul fugia do céu, as lojinhas,
bodegas e armazéns estariam fechados, o comercio era proibido. Era Paixão de
Jesus Cristo. Na igrejinha os santos cobertos com pano roxo.
Naquele dia não podia
jogar bola, nem brincar de finca, esconde-esconde, nada era permitido. Era um dia
sombrio, nas casas apenas rodava o disco de vinil Paixão e morte de Cristo, que a gente já decorara. Não tinha
televisão, a gente recriava as imagens do sofrimento de Cristo. Odiávamos Judas
e Barrabás. O centurião era outo odiado.
Como não bastassem as proibições,
tinha que jejuar até à ceia, que era farta de bacalhau em todos os pratos, como
abobora, quiabo, chuchu e algumas casas até torta de bacalhau. Bacalhau era
coisa de pouco valor. Na mesa farta tinha doces de batata doce, goiabada, farinha
de amendoins, marmelada, doce de mamão, laranja e não podia falta o famoso queijo
mineiro na sobremesa.
A sexta-feira era fúnebre,
morria o filho de Deus, traído por um discípulo próximo. Os meninos sonhavam com
o Sábado de Aleluia, para montar com roupas velhas o Judas, cheio de explosivos
juninos. Judas era maltratado, incendiado no sábado à noite. Eram vingativos os
meninos da rua da vila operaria.
Hoje nada restou, a
radiola emudeceu, a televisão mostra encenações dos sofrimentos de Cristo. Os
meninos estão ocupados com smartphones ou vídeo games. Perdeu-se no tempo a
tradição e catolicismo. Pela cidade encontros de familiares, regados com muito
vinho e cervejas. Dizem até, que é um dia de muitas ocorrências de violências.
Os meninos daquela rua não mais jejuam, nem confessam pecados aos ouvidos do temível
padre José Lopes.
A mesa dos meninos
empobreceu, o bacalhau fugiu e deixou uma imitação no lugar, o peixe escapou
com os elevados preços de uma vil especulação em contraste com a data de paixão
e amor solidário. Mas ficou a alegria de saber, que no domingo renascia o filho
de Deus. Aleluia, aleluia!
Desafio de Páscoa é uma proposta de nossa amiga Marta de Portugal em seu blog escrevercomamor, que reeditando um texto sobre um livro, no sentido de darmos voz e vida a um livro. Confira no blog o texto. Abaixo minha inspiração.
Fui um livro...
Sim menino fui um livro
que levou emoções por tantas mãos perfumadas, outras suadas, ásperas, mas sentia
o carinho devotado. Recebi lágrimas sofridas da menina, que me levava para o
silencio do seu quarto desconectado da casa, onde ela vivia seus medos e
sonhos.
Menino! Eu fui um livro
carregado de folhas apaixonadas, mas trazia sentimentos de reflexões aos olhos
mais atentos ávidos de algo mais. Já dormi sob os travesseiros no aconchego de
um quarto com janelas para o jardim. Podia sentir o perfume da Ave Maria, no
cair da tarde antes da janela se fechar para o mundo, quando as mãos sedentas
me envolviam na silenciosa leitura.
Olha menino, também viajei
pelas estradas numa jardineira, sempre na janela para ver os campos floridos e
a poeira que subia escondendo as belezas da estrada, na viagem encantada para o
interior do meu interior. Sim, eu viajei pelos caminhos margeados por um rio,
que descia seus peixes, podia ouvir seu canto nas quedas e curvas.
Mas um dia menino, surrado,
cansado de mãos em mãos, adormeci num baú junto de outras coisas inservíveis,
mas não fui para o lixo. Morria de medo de ser cremado pelas chamas da fornalha,
onde a farinha era feita por mãos ásperas, não afeitas aos livros. Eu podia
sentir o cheiro do querosene nas lamparinas.
Mas hoje impregnado pela
naftalina, estou alegre nas mãos desta menina encantada pelas palavras, que
conservei, como se tivesse um encontro marcado, para novas emoções. Sim ainda
eu sou um livro e levo prazer para outras pessoas, minha roupa de gala, hoje
deu lugar a uma roupa amarrotada, o meu cheiro se perdeu, mas minha essência. É o que a menina buscou e encontrou.
Umaimagem e uma trova um desafio de nossa amiga Lúcia de todos os domingos, quando apresenta uma imagem de sua autoria e região no seu blog brincadeirasdepoetas onde temos links dos amigos
Poetizando com letra unica, um grande desafio de nossa amiga Gracita de todo o mês e neste será com a letra F com links no seu blog sonhosepoesias. Vamos prestigiar os participante neste desafio. Abaixo minha inspiração.
Florbela foste fantástica
Falaste francamente
Floresceste feito Fidelia¹
Finíssima fragrância.
Faceira formosa Florbela
Famosa foste fiel feminista
Frente forte falsidade
Festejaste fingiste felicidade.
Fanatismo foste fina feitura
Fagner formatou formidável²
Fidelizou fanático Florbela
Foi fervoroso fã fascinante.
Finalizaste feito fina flor
Ficaste fraca fria fragilizada
Fleumático fugidio frenesi
Florbela fatalmente falecida.
Toninho
01/04/2025
Grato
pela leitura
1-Planta rara de flores pequenas em tons de azul e branco cresce em clima
seco
2-Fagner cantor brasileiro musicou o
poema Fanatismo de Florbela Espanca.
Botando a cabeça parafuncionar é uma brincadeira da Chica criada para brincar com seu neto e virou BC de todos os dias 5, 15 e 25 quando ela apresenta uma imagem para uma leitura livre com postagens e ou comentarios no blog chicabrincadepoesia. Incentive e leia os amigos.