Vejo
o menino nas procissões da Semana Santa, vela escorria, queimava a mão e o pai
fez um anteparo com papelão rígido, a vela queimava. Era emoção os cantos e rezas. O terço corria
pela mão, parecia infinito. A primeira comunhão, o medo de contar os pecados
para aquele padre ranzinza, os pecados decorados e nós os meninos do lugarejo tínhamos
os mesmos pecados. Uma freira sofria para ensinar o catecismo, dizia que uma
luz abriria nossas mentes e fé como dizia no livro santo.
Outra
procissão que os meninos gostavam era levar agua numa garrafa com uma flor e
despejar no pé do cruzeiro, no Pico do Amor, levados por dona Maria em cantoria
religiosa pedindo chuva para o lugarejo. Junto do cruzeiro a igrejinha onde encravava
as raízes de minha fé no Deus, que tudo podia e fazia. Hoje vejo o pico, a
igreja, o cruzeiro e vejo claramente os meninos, como se estivesse a olhar um
tal quadro na parede, que não dói, mas dá uma saudade gostosa de sentir. Aquela
Itabira é mais que um quadro na parede, é berço de memorias do menino e seu
lugarejo, nas páginas de um álbum amarelado.
Toninho
27/09/2021
Grato pela visita










