BC_Uma
imagem em 140 caracteres de nossa amiga Marina nos oferece hoje uma imagem de um copo com água antes do transbordar. Vamos ver os olhares dos amigos sobre a imagem e como criaram aqui: devaneiosedesvarios e abaixo minhas versões na linda imagem.
Numa manhã de agosto
Jota acordou cedo, preparava o café, quando ouviu barulho vindo do sótão.
Pensou nos gatos da vizinhança, fez o chamado tradicional bichim... bichim. Como
resposta ouviu risos do pai, descendo do sótão com uma caixa escurecida pela
fumaça do fogão à lenha. Após a benção quis saber, o que ele tinha na caixa.
Disse que estava à procura de papeis antigos. Tomaram café e foi para seu
trabalho.
Durante a manhã
pensou no pai saindo do sótão, e dizia baixinho, que velho é cheio de manias,
mas entendia. Aquilo ficou martelando sua mente, fazia tempo que ele não ia ao
sótão. Quando voltou do trabalho, a mãe relatou que o pai passou várias horas
no quintal, remexendo a caixa e que vez ou outra, ouvia um apito, mas que não
identificava e que ele afirmava, não ter ouvido nada.
No dia seguinte Jota
recebeu ligação urgente. Reconheceu a voz da mãe. Logo imaginou coisa ruim, pois ela não ligava.
Ao falar notou que ela chorava, dizendo que o pai havia sumido após remexer a
caixa e não aparecera para almoço. Jota saiu pelas ruas a procurar e perguntar
às pessoas. Pensou em suicídio, já que o pai estava chateado com a demora de um
processo de ajuste da aposentadoria junto à Previdência, já uns dez anos. Lembrou
de passar pela estação, onde ele ia sempre rever as locomotivas e velhos
amigos.
Ao aproximar da
estação, ouviu um apito estridente e continuo. Quanto mais se aproximava, era mais
alto. Quando chegou junto ao muro, levou um susto ao ver o pai com um apito
brilhante, soprando e acenando para um trem em manobra. Um funcionário disse,
que ele invadira a pista com o apito. Correu sobre a linha e abraçou o pai, retirando
dos trilhos. Ele chorava e dizia a Jota, que queria mostrar, que podia comandar
os trens.
No outro dia cedo com
a mãe e o pai pegou o trem para a capital para consulta ao psiquiatra. Vários
exames e testes comprovaram sanidade mental. Que fora apenas uma crise
emocional pela perda de um irmão num passado distante. Então o pai tirou do
bolso o apito amarrado a um broche de Honra ao Mérito e disse que aquele apito,
o acompanhava deste a morte do irmão numa estação e que rever o objeto naquela
manhã do sótão fez um filme passar na sua mente.
E com um sorriso
largo viu o trem que chegava apitando na curva da estação, para leva-lo de
volta ao seu interior de calma, longe das buzinas e fumaça da capital.
Agora aquele apito
fica escondido com a mãe para evitar alguma recaída.
Desafio
nº 191 vem de Portugal do blog 77palavras.blogspot da querida amiga Margarida conheça e
participe, é bem interessante as histórias e mini contos que aparecem de outros amigos, como Chica, Verena, Roselia do Brasil e outros tantos pelo mundo. Excelente exercício de síntese. Alguns contos são lidos numa emissora de radio de Portugal. Vamos lá e colocar a cabeça para funcionar.
Momento
de fúria.
João
para tudo tem um ditado, grande romântico da paz. Mestre charadista pelos
botecos da vila. Dizia que “dava um boi para não
brigar, mas daria uma boiada para não sair”. Assim naquela noite cinco rapazes
embriagados começaram uma briga no boteco. Quieto no seu canto assistia, quando
levou um tapa no ouvido. Possesso e surdo sacou um facão e colocou a turma em fuga
desesperada, enfrentou a gang gritando, que “perdido
por cem, perdido por mil”
Numa leitura na pagina da Ailime acabei por entrar no seu poema e veio esta inspiração saudosista, com imagem da Ailime meu poema. Obrigado Ailime. Confiram por lá sua inspiração Canto meu
Viagem na rua
da vila.
As
pedras da rua ainda escorregadias.
Sob
os pés ouço ainda vozes conhecidas.
Casas
que trazem lembranças fugidias,
janelas
presas ainda espiam escondidas.
Alisar
as paredes brancas e desbotadas,
com
portas que conduzem uma viagem,
apenas
me fazem, sentir coisas passadas
assombradas,
no petrificar da imagem.
Os
telhados onde gatos olham vigilantes,
vejo
uma chaminé onde desce bom Noel,
sobre
a rena com sinos e veste berrante,
Pai
Noel nunca me dera nem um pincel.
Sigo
pela rua com um fardo de saudade,
minhas
pernas frouxas no corpo curvo.
O
sol se põe sobre telhados, é infinidade.
Nesta
volta ao passado no olhar turvo.
Toninho
18/11/2019
Uma feliz semana
para todos.
Grato.
sexta-feira, 15 de novembro de 2019
Botando
a cabeça para funcionar uma BC da Chica todo dia 5,15 e 25 para uma imagem e inspirações livres ou mesmo comentários em sua postagem. Vamos lá e conhecer e ver outros participantes, aqui chicabrincadepoesia
Desafio nº 189 vem de Portugal do blog 77palavras da querida amiga Margarida conheça e participe, é bem interessante as historias e contos que aparecem.
O Desafio:Que tal trabalhar hoje o ritmo do texto? Vamos escrever um texto onde a palavra «medo» aparece a cada quatro, cinco ou seis palavras ― vamos fazê-lo num texto que, ao ser lido, demonstra uma pressa amedrontada, ou um medo cômico, ou até um medo sublimado!
Folião fujão
Caminhava
apressado pela rua, medo da revista pela guarda, medo de revelar a sua identidade, medo na noite carnavalesca, das câmeras televisivas, medo da fuga num caminhão de lixo, medo da trituração do lixo. Medo pulou do caminhão, medo escondido na praça com seu medo sentiu algo estranho, medo congelou todo corpo. Medo ensinou uma lição, medo é irracional, logo vence este medo. Revelado segredo do medo. Mais feliz sem medo, voltou para avenida, sem o medo.
Participação no Desafio de Novembro do blog escrevercomamor de nossa amiga Marta de Portugal. O desafio com base no poema da Marta e que apareça as palavras sublinhadas.
Estou
convicto da elegância da emoção da simpatia, que nos coloca na vida das pessoas
como passe de mágica, naturalmente as agregamos como nossa. Há magia neste
sentimento, que as vezes nem sabemos explica-la, ela existe e pronto. Laços se
criam em amabilidade, sinceridade e cooperação.
Simpatizamos
com coisas, cidades, pessoas, partidos políticos, clubes de futebol, animais e
uma infinidade de coisas. E nos surpreendemos em não simpatizar com alguém
mesmo sem ter um motivo, não saberia explicar, mas sabe-se, que não se
simpatiza. Note que você sempre usa esta palavra para justificar um não querer,
como uma palavra de escape, do que realmente sentimos por esta.
Assim
nos blogs criamos laços e entrelaçamos outros por serem seguidos por alguém que
nos é simpático e cria-se uma rede de simpatias. Creio que seja uma evolução da
simpatia e passamos a comunicar com várias pessoas pelo mundo. Pela simpatia
que somos como link ativo para os seguidores, que nos entrelaçam aos seus
seguidores e ou leitores.
Nesta
condição ficamos cativos a estas pessoas e sentimos falta destas quando por
algum motivo, elas se afastam da blogosfera. Ser simpático é uma arte, que
temos de exercitar, pois envolve paciência, tolerância, respeito ao que o outro
é. Ser simpático é ser atencioso.
Compartilho
como ilustração um pensamento de Fernando Pessoa:
Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo, Eu
torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo, Aquilo com quem simpatizo, seja uma
pedra ou uma ânsia, Seja uma flor ou uma ideia abstrata, Seja uma multidão ou
um modo de compreender Deus.
E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo. São-me simpáticos os homens
superiores porque são superiores, E são-me simpáticos os homens inferiores
porque são superiores também, porque ser inferior é diferente de ser superior,
E por isso é uma superioridade a certos momentos de visão.
Simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de caráter, E simpatizo com
outros pela sua falta dessas qualidades, E com outros ainda simpatizo por
simpatizar com eles, E há momentos absolutamente orgânicos em que esses são
todos os homens. Sim, como sou rei como sou rei absoluto na minha simpatia, basta
que ela exista para que tenha razão de ser. (Fernando Pessoa)
Assim
somos absolutos em nossos sentimentos, para com as pessoas que fazem no nosso
viver mais ameno e mais divertido e creio que mais iluminados. Não entendo como
alguém pode se fazer de antipático. A simpatia leva à empatia. Creio num mundo
onde as pessoas se doam, vivam em comunhão e assim possam mudar o mundo com
simpatia em perfeita harmonia com a natureza.
Com
este texto homenageio nossa amiga Professora Lourdes, que simpaticamente nos
reuniu sem nos conhecer, para um projeto ousado de espalhar poesias na
blogosfera e ainda mais ousada e laboriosa, coletou textos de cada amigo e
compilou um lindo livro para ofertar aos amigos.
Aos amigos incentivo que adquiram o livro, pois assim estaremos contribuindo com uma entidade beneficente a ser definida. Siga o link direto por favor Agbook Recortes do livro