sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Isto é do meu feitio.











               Isto é do meu feitio...

Agradecer toda esta sublime alegria,
Dos que vivem noites apaixonantes,
Com aquele lindo plainar pela euforia,
Tal um beija-flor em lindo voo rasante.
          
 Isto é do meu feitio...

Retribuir com amor todos os carinhos,
Alimentados com os beijos molhados,
Que possam nos levar pelos caminhos,
Lá, onde seremos eternos namorados.
           Isto é do meu feitio...
Declarar todo o amor abertamente,
Quando a paixão foge da disciplina.
Deliberadamente eleva-se sutilmente,
Tal como a estalagmite numa mina.
          Isto é do meu feitio...

Namorar seus olhos com fascinação,
Mergulhado num olhar que acelera,
Que se veste de um brilho em sedução,
De caçador de esmeraldas numa serra.

          Isto é do meu feitio...

Querer viver um amor intensamente,
Que motiva os mais lindos pensamentos
Para cada passo dado, do que se sente,
Que venha eternizar todos os momentos.

          Isto é definitivamente do meu feitio...
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Toninho.

No blog fractaisdecalu encontramos a expressão” não é do meu feitio” e com ela cada amigo confessou em postagem o que não era do seu feitio, assim inspirado ainda nesta expressão resolvi postar o inverso. Conheçam o blog, pois é muito bom.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Saudades enraizadas.











A saudade que mora no meu peito,
Vem destes encontros e despedidas,
Como as águas que fogem do leito,
Escorrem no rosto lágrimas sofridas.

Enquanto a cabeça num breu se faz
Como numa noite a falta de energia,
Vivo o insucesso da procura incapaz,
Abraçado à esperança do que se cria.

Entrego-me nos braços da saudade,
Para recriar sua presença querida,
Mas sempre acordo na realidade,
Ao som do gotejar de rimas sofridas.

Mas se dentro de mim ela se forma,
Como uma placa de dor pungente,
Então me resta ficar na plataforma,
Na longa espera do encontro veemente.

Então cada trem que chega à estação,
transporta este meu sonho eloquente,
Que se perde na fumaça da desilusão,
Ao ver partir outro trem lentamente.



Toninho.
O mineiro tem sempre um trem apitando no coração.
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 Interação da Graça http://zambezianachuabo.blogspot.com.br/

Com rima e muita fumaça
Meu amigo, na verdade
Eu achei imensa graça
pois no trem vai a saudade!



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Nesta quarta 28/11 estou por lá na série Minha Arte. no link abaixo.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Maria escandalosa.














Toda
Manhã
Vem.

Sempre
Caras
E bocas.

Ninguém
Sabe
Por que,

Sorri
Tanto.
Assim.

Talvez
Seja
Feliz

Talvez
Nem
Tanto.

Toninho.
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Estrutura criada pela poetisa Luna Di Primo.
http://mindimlunadiprimo.blogspot.com.br/ 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O homem atravessou a rua.













Naquela noite de frio intenso, eu seguia pela rua em direção a minha casa no ultimo quarteirão desta. A cidade é cercada por serras e por um rio, que faz maior a sensação de frio. Havia “serração” (densa neblina) que cobria a cidade e deixava tudo translucido. Notei o vazio e silencio das casas sem nenhuma janela aberta para a rua. Parecia noite mal assombrada, destas que contavam na Quaresma. Nem mesmo os cães se ouviam os latidos, nem os gatos ruidosos eram ouvidos. 

A rua era calçada com pedras de minério de ferro, o Itabirito, que com o tempo tornaram-se polidas e brilhantes. Com o sereno noturno brilhavam como fosforescentes. Andar por ela era conviver com escorregões e quedas. Esta rua era um terror para as mulheres com sapatos de saltos finos. Algumas eram habilidosas equilibristas, outras não. Logo torciam pé e sofriam quedas seguidas de risos de transeuntes ao ver a preocupação delas em não mostrar suas roupas intimas. Vale saber que mulher naquela época, só usava longos vestidos e famosas saias plissadas, exceto filhas de fazendeiros, quando montadas em seu seus cavalos, trajavam calças compridas, chapéu e botas longas. Era lindo vê-las com seus cabelos soltos sob o chapéu com um laço vermelho no pescoço.

No final da rua ficava a igrejinha da vila e o armazém da empresa mineradora, logo esta rua tinha movimentação maior, principalmente nos horários das missas, novenas ou das quermesses do ano.  Era uma rua com casas dos dois lados sendo numero par para as casas da direita e impar as casas de fundo para a serra. Tinham mesma arquitetura e todas elas tinham uma varanda pequena ao nível do solo na entrada da casa, que chamavam de alpendre. Eram todas da empresa VALE, nelas moravam somente operários, que trabalhavam na exploração de minério na mina de ferro. As casas que ficavam de fundo para a serra, eram elevadas do nível da rua, tinham muro de contenção, onde eram instalados postes de ferro da iluminação, algumas possuíam escadas de seis a dez degraus. 

Próximo da meia noite eu já estava no alpendre de minha casa e dei uma ultima olhada para a rua, quando um homem atravessou a rua no quarteirão acima, chamou atenção a roupa toda branca inclusive os sapatos. Era alto e não parecia um morador vizinho. Fiquei curioso a observa-lo, mas a distancia e a péssima iluminação não ajudavam muito. Quando ele se posicionou sob um poste, notei que era magro, usava óculos. Seu chapéu preto destacava naquele branco. Levava na mão direita uma pasta preta e na outra uma bengala ou guarda-chuva. Ele posicionara em frente à casa do Zé Agripino, e conferia alguma coisa. Ele subiu as escadas e sumiu da visão. Pensei ser um medico para consultar a mãe do Zé, que não gozava de boa saúde, achei estranho um medico naquela hora sem usar carro, mas sentindo muito frio entrei para minha casa. 

Pela manhã quando todos esperavam o caminhão, que nos levava para a mina de minério, aproximei do Zé Agripino, procurando noticias sobre sua mãe. Ele relatou que ela esteve muito mal na noite passada com uma canseira terrível, parecia que morreria. Mas que próximo da meia noite ela deu um suspiro fundo e todos correram para o quarto, mas ao chegar lá ela estava sentada na cama e rezando e que ao vê-lo sorriu, pediu um café com bolo de fubá. Eu ouvi tudo, senti um arrepio, mas não disse a ele sobre o homem de branco, que vira subir a escada no horário relatado do tal suspiro. 

Ele não acreditaria mesmo.
Penso que nem você caro leitor.

Toninho.

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Para o exercicio do blog:  escritosnalinguagemdocorpo usando a afirmativa de "um homem atravesou a rua" ,descrevendo os elementos da afirmativa, para criar um clima.
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