Quando tudo parece perdido, resta uma esperança. É preciso, agarra-la
como naquela historia do homem em fuga de um tigre, que acaba escorregando e
fica dependurado num despenhadeiro entre o tigre e o abismo, acuado ali e junto
dele um pé de morango, ele preferiu saborear o morango, olhando sem medo para o
tigre à sua frente Lembra-se? Não se sabe o final da historia.
A esperança recria a capacidade de nos fortalecer e ao tempo, que nos
acende uma ternura mesmo em adversidades. Nossos olhos se perdem de emoção, ao
depararmos com pessoas solitárias, sentadas num banco de orla olhando para o
nada na imensidão do mar. Mas é bem certo, que ele saiba o que buscam seus
olhos naquela imensidão azul.
Cada um carrega suas angustias, medos e frustrações, às vezes somos um
barril de pólvora, susceptíveis às agressões involuntárias, suicídios, drogas
e alcoolismo. São pessoas que equilibram na corda bamba, vivem no fio da
navalha. Assim pode ser aquele homem sentado estático de frente para o mar. Sua
dor não rima com os versos, que outrora colocara num papel, que hoje já se
amarelou pelo tempo, ali ainda busca um reencontro com seus versos perdidos
numa noite de tristeza, na perda que cegou sua inspiração e enrijeceu seus
dedos.
Observando à distancia é de estranhar seu estranho descompromisso com a
vida. Para ele, tudo o que sabia, era sonhar com seu mundo quase inexistente. Ali
sentado com os olhos fixos no mar, nem percebia os olhares curiosos
dos que passavam pela orla.
Um homem que no auge da sua vida de realizações, sempre esteve assediado
por pessoas amantes de suas belas inspirações com as palavras. Agora ali um homem solitário
sentado num banco à beira mar na sua mais completa desilusão, apenas com as
lembranças soltas e loucas, que pululam como coisas inúteis sem vida.
Toninho
15/03/2015
