Naquele caminho entre
arvores margeado pelo córrego Furtado, seguia o menino rumo à casa da Vó. A
casinha pequena para gente tão grande era o paraíso do menino em suas férias escolares
de julho e do fim de ano.
Seguia pelo caminho à
frente dos irmãos, queria ser o primeiro, a avistar a fumaça branca certeza de
comidas deliciosas, que a vovó preparava para os netos, naquela simplicidade de
roça. De um trecho do caminho avistava o jardim da casinha, onde a vó ficava a
olhar o caminho, para ver sua turma chegando.
Lá o menino se sentia
dono dos pés, andar pelo pomar, aproveitar as frutas da época, pescar e nadar
no córrego, cuidar da horta, limpar o caminho da agua, que corria pelas valetas
sob arvores até a porta cozinha, onde desaguava numa grande gamela¹. Agua pura
e fresca nascida entre pedras na pequena serra do terreno, onde cultivava as hortaliças
e alguns legumes. Diziam que a noite uma onça e outros animais desciam da serra
para beber agua.
Hoje olhando uma pintura,
o menino viaja nas lembranças vivas de um tempo de feliz idade e vem uma
nostalgia, saber que o avanço da mineradora destruiu todos os recantos, os rios
e córregos onde apenas uma agua escura de minério, sem peixes, sem vida corre deixando
um rastro de destruição em direção ao mar.
Da casa da vó ficou
apenas um quadro na parede e uma saudade que corrói.
Toninho
18/07/2023
Grato pela visita.
